Título do Projeto: (IN)Tacto
Selecionado para concorrer a uma bolsa de estudos para o ano acadêmico 2010, Curso de Design de Moda, Escola de Moda, IED São Paulo
Desde os primórdios da Antiguidade, até aos nossos dias, que no mundo foram criados ideais de beleza, e daí, surgiram também diversas figuras históricas, que ainda hoje prosperam. Civilizações tão fortes e marcantes pela sua cultura e diversidade criativa, que levaram a sua arte ao mundo, tornando-a passado, presente e futuro – intemporal.
O projecto que desenvolvi chama-se (IN)TACTO e dá vida a um conceito onde o desgaste material e a pele geram a memória de uma cultura e a fronteira entre o passado e o presente, tornando vísivel a forma como o mundo nos toca. Tendo como ponto de partida a cultura egípcia o projecto visa a concepção de um adorno têxtil (écharpe) que estabelece o contacto com essa cultura e a relação do Património à Arte Contemporânea.
Descrição do Projecto:
Tendo como ponto de partida a cultura egipcia analisei as suas pertinências desde os aspectos formais a nível das têxturas, dos relevos e da desfragmentação, revertendo a conceptualidade aos valores plásticos, na criação da écharpe.
De acordo com o conceito que desencolvi existe uma relação entre o corpo e a memória e uma interacção entre o portador e o adorno, unindo-os num jogo de sentidos, em que a memória é vista como sensor e o corpo é confinado ao adorno.
Utilizei materiais como o gesso, os metais e cristais swarovskis pela sua natureza nobre e reflectora que revelam a ideia de revestimento e protecção na construcção de um adorno de carácter escultórico e fragmentário num inquietante poema tecido, onde cada elemento mantêm o seu significado dentro de um todo.
A écharpe caracteriza-se como uma segunda pele que prolonga e traduz o interior no exterior; enquanto lugar de sobreposição da tactilidade e da visão explorando essa relação dentro | fora exigindo os seus tributos aos sentidos, que convidam a tocar com o olhar e a olhar com o tacto.
A pele é o que nos separa do mundo e aprisiona-nos mas também nos dá forma individual e protege-nos, podendo atingir diversas formas, ela é capaz de se renovar constantemente ao longo dos tempos.
Neste projecto a memória entrelaça fibras de múltiplas origens no frágil tear da vida, num adorno onde estão representados como ecos dos tempos coptas as fibras simbólicas do dourado suor dos escravos e das prateadas lágrimas; o esplendor de uma das sensuistas da história, Cleópatra; os fios àsperos do passar inexorável do tempo; as franjas de água do Nilo e do esquecimento que refulgem entre a escuridão e o silêncio, convertidos em esteiras de pedras iluminadas pelos sonhos ou em fragmentos de significado, filamentos de perdas, rastos sem tempo, inesperados sóis, trajes rituais que têm vida, corpo e espirito.
O meu projecto define um enorme novelo que se desenrola e conduz a um possivel (re)descobrimento do mundo, em que o seu tecido, em lugar de cobrir ou proteger o corpo, ergue-se autónomo e cria uma espécie de visão do Futuro contemplada numa procura do verdadeiro sentido e significado do ser – a Humanidade – que convida à sensualidade visual e à contemplação do intangivel, (re)formulando a mentalidade do Homem, redimindo-se à sua simplicidade através da reutilização e utilização de materiais e, onde teremos de sobreviver nas ruinas em que o avanço tecnológico deixou o mundo tal e qual como hoje o conhecemos. Um Futuro onde a natureza do revestimento conquista uma linguagem própria presupondo uma extensão temporal diacrónica, assumindo-se como portadora do espírito do tempo.



(4.6 do total de 5)
(4.24 do total de 5)