Título do Projeto: RAN ?
Selecionado para concorrer a uma bolsa de estudos para o ano acadêmico 2010, Curso de Design Gráfico, Escola de Arti Visive, IED São Paulo
Idéia
O futuro apresentado não é utópico nem distópico, tampouco homogêneo: é uma conseqüência do presente, com algumas de nossas questões resolvidas, outras ainda a resolver, e novas questões se apresentando. A perspectiva futurista apresentada é apenas uma das muitas possíveis. Assim, foi escolhida uma abordagem, de certa forma, atemporal: trata-se de uma revista independente que discute arte e critica a ordem vigente, já que a necessidade criativa e a insatisfação sempre estiveram presentes e são fundamentais para a construção do futuro – qualquer futuro. Apresenta-se então a tese pela antítese: um grupo de jovens que questiona uma sociedade clean, imaculada tanto em seus valores restritos quanto nas janelas espelhadas de seus edifícios monumentais.
Descrição do projeto
Em um tempo onde o rastreio de IPs e os radares e câmeras em cada esquina já são banais, a revista é apresentada como uma saudosista publicação de carne e osso, ou seja, de papel e tinta, por si só um crime ecológico imperdoável na eco-sociedade do amanhã.
Trata de arte e cultura, mas também trata de confrontar um mundo asséptico, controlado, cujas rebarbas todas foram retocadas cuidadosamente no photoshop. A inspiração vai desde o inquestionável 1984 de George Orwell até games esteticamente inovadores da última geração, como Mirror’s Edge. Esteticamente, manifesta-se uma preocupação com um resgate do orgânico, com texturas, cores e formas vivas, sem ignorar, porém, que cada período histórico tem sua estética característica, ainda que essa base sirva apenas para ser questionada. Assim, optou-se por uma fusão com base no design sólido das publicações dos anos 50 e as ilustrações de James Jean, Kenichi Hoshine e Tomer Hanuka.
A revista foi batizada RAN em homenagem ao filme homônimo de Akira Kurosawa; essa escolha se deu, principalmente, para enfatizar que muito do presente é preservado e inclusive reverenciado no futuro, uma vez que existem valores atemporais: a condição humana, abordada primeiro por Shakespeare nos idos de 1600 em King Lear ainda é atual no Japão de Kurosawa mais de três séculos depois, e ainda será atual no futuro. Além disso, RAN, no original japonês, significa caos – o caos que se tenta conter a qualquer custo na sociedade exacerbadamente regrada de amanhã.
O projeto se apresenta através da capa, do editorial e do índice da sexta edição. O desenho de capa é feito em acrílico e aquarela e representa uma medusa andando entre a cidade de vidro e concreto: todos que nela habitam, ao se verem refletidos na superfície espelhada, acabam também, inevitavelmente, transformando-se em vidro e concreto inanimado. O restante do projeto é digital, com exceção do desenho a caneta esferográfica no índice.



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